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Agonistas GLP-1 além da diabetes: expansão de indicações no SUS
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Agonistas GLP-1 além da diabetes: expansão de indicações no SUS

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Dra. Eduarda Sousa Costa

Publicado em 29 de maio de 2026

2 min de leitura

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) iniciou em maio de 2026 a avaliação para ampliação das indicações de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 no SUS. Além das indicações já estabelecidas para diabetes tipo 2 e obesidade, as novas propostas incluem prevenção cardiovascular em pacientes de alto risco e proteção renal em doença renal crônica, seguindo evidências robustas de ensaios clínicos internacionais recentes.

Os agonistas de GLP-1, classe que inclui semaglutida, dulaglutida e liraglutida, revolucionaram o tratamento de diabetes e obesidade na última década. Estudos publicados entre 2023 e 2025 demonstraram benefícios cardiovasculares consistentes, com redução de até 20% em eventos cardiovasculares maiores (infarto, AVC e morte cardiovascular) em pacientes com doença cardiovascular estabelecida, independentemente da presença de diabetes.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) manifestou apoio à incorporação ampliada, citando que doenças cardiovasculares permanecem como principal causa de morte no Brasil, responsáveis por mais de 400 mil óbitos anuais. A possibilidade de utilizar agonistas de GLP-1 como estratégia preventiva em pacientes de alto risco cardiovascular representa avanço significativo no arsenal terapêutico disponível no sistema público.

No campo da nefrologia, evidências recentes mostram que esses medicamentos reduzem a progressão de doença renal crônica e diminuem proteinúria, marcador de lesão renal. A Sociedade Brasileira de Nefrologia destacou que aproximadamente 10 milhões de brasileiros apresentam algum grau de disfunção renal, e novas estratégias de proteção renal são urgentemente necessárias para reduzir a progressão para diálise.

O principal desafio para incorporação ampliada permanece sendo o custo. A CONITEC está negociando com fabricantes para obtenção de preços viáveis ao SUS, considerando o impacto orçamentário de fornecer esses medicamentos para populações maiores que as atualmente atendidas. Análises de custo-efetividade serão determinantes para a decisão final.

Médicos prescritores devem aguardar as diretrizes oficiais antes de modificar protocolos estabelecidos. Enquanto isso, as indicações em bula registradas na ANVISA permanecem como referência para prescrição. Para pacientes já em uso desses medicamentos, a orientação é manter seguimento regular e não interromper tratamento sem orientação médica.

A expectativa é que a CONITEC conclua a avaliação técnica até o terceiro trimestre de 2026, com posterior consulta pública antes da decisão final. A incorporação, se aprovada, deverá incluir protocolos clínicos detalhados definindo perfis de pacientes elegíveis, critérios de monitoramento e metas terapêuticas, garantindo uso racional e sustentável desses medicamentos no sistema público brasileiro.

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