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Análise genômica entra no rol da ANS para prevenção de câncer
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Análise genômica entra no rol da ANS para prevenção de câncer

DM

Dr. Marcos Pires Pereira

Publicado em 31 de maio de 2026

2 min de leitura

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou em abril resolução histórica que inclui painéis genômicos para avaliação de risco oncológico no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. A medida, que passa a valer a partir de julho de 2026, torna obrigatória a cobertura de testes para genes como BRCA1, BRCA2, TP53 e Lynch por operadoras de planos de saúde, mediante indicação médica fundamentada.

A decisão representa mudança paradigmática na abordagem preventiva do câncer no país. Estima-se que entre 5% e 10% dos casos de câncer tenham origem em mutações genéticas hereditárias identificáveis. Com a ampliação do acesso aos testes, oncologistas e geneticistas poderão implementar estratégias de rastreamento intensificado e medidas profiláticas em pacientes de alto risco, potencialmente reduzindo mortalidade e custos assistenciais a longo prazo.

Segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), a testagem genética está indicada para indivíduos com histórico familiar significativo de câncer, diagnóstico em idade precoce ou tumores múltiplos. A interpretação dos resultados deve ser acompanhada obrigatoriamente por aconselhamento genético, garantindo que pacientes compreendam implicações, limitações e opções de manejo disponíveis.

A implementação da medida exigirá capacitação profissional em larga escala. O Conselho Federal de Medicina (CFM) está desenvolvendo programa de atualização em medicina genômica para médicos de diversas especialidades, reconhecendo que a solicitação e interpretação adequada desses exames não deve se restringir a geneticistas. Ginecologistas, mastologistas e gastroenterologistas estarão entre os principais prescritores.

Laboratoriais brasileiros investiram mais de R$ 400 milhões em infraestrutura para sequenciamento genético nos últimos dois anos, antecipando a ampliação de demanda. A nacionalização progressiva desses testes, anteriormente concentrados em serviços internacionais, reduz custos e tempo de resultado, que caiu de 60 para aproximadamente 15 dias úteis.

Questionamentos éticos acompanham o avanço tecnológico. Especialistas em bioética alertam para riscos de discriminação genética por seguradoras e empregadores, embora legislação brasileira proíba tais práticas. A proteção de dados genéticos sob a LGPD também demanda atenção redobrada de prestadores e operadoras, uma vez que essas informações são inalteráveis e compartilhadas por familiares.

A inclusão da genômica no rol da ANS posiciona o Brasil entre os países em desenvolvimento mais avançados em medicina de precisão, democratizando acesso a tecnologia que, até recentemente, estava restrita a centros privados de excelência e ensaios clínicos.

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