
Dr. Alexandre Monteiro Azevedo
Publicado em 30 de maio de 2026
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) aprovou em maio de 2026 a inclusão de uma nova classe terapêutica para diabetes tipo 2 no SUS. Trata-se de um agonista do receptor GLP-1 de terceira geração, combinado com inibidor de SGLT-2, que demonstrou resultados superiores às terapias convencionais em múltiplos desfechos clínicos.
Os estudos apresentados à CONITEC envolveram mais de 15 mil pacientes em 38 países, incluindo centros brasileiros. Os resultados mostraram redução de 58% em eventos cardiovasculares maiores (infarto, AVC e morte cardiovascular) comparado ao tratamento padrão com metformina isolada. Adicionalmente, pacientes apresentaram perda média de peso de 12kg em 48 semanas de tratamento.
A aprovação representa avanço significativo no manejo do diabetes tipo 2 no Brasil, país que conta com aproximadamente 16 milhões de diabéticos segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes. A nova terapia será disponibilizada inicialmente para pacientes com diabetes não controlado apesar de tratamento otimizado e que apresentem doença cardiovascular estabelecida ou alto risco cardiovascular.
Segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a terapia combinada oferece vantagens ao abordar simultaneamente múltiplos mecanismos fisiopatológicos do diabetes tipo 2: aumenta secreção de insulina glicose-dependente, reduz glucagon, retarda esvaziamento gástrico e promove excreção urinária de glicose.
A ANVISA já havia concedido registro ao medicamento em dezembro de 2025, após análise de segurança e eficácia. Os efeitos adversos mais comuns relatados nos estudos foram náuseas transitórias e infecções urinárias leves, geralmente autolimitadas. Contraindicações incluem insuficiência renal grave e história de pancreatite aguda.
O Ministério da Saúde estima que cerca de 800 mil pacientes do SUS se enquadram nos critérios para receber a nova terapia. A distribuição deve iniciar no terceiro trimestre de 2026, após conclusão de processos licitatórios e logística de dispensação através das farmácias de alto custo.
Especialistas alertam que a medicação não dispensa mudanças no estilo de vida. O tratamento ideal do diabetes tipo 2 continua sendo multimodal, combinando farmacoterapia com alimentação adequada, exercícios físicos regulares e controle de fatores de risco associados como hipertensão e dislipidemia.
A Federação Internacional de Diabetes reconhece o Brasil como referência latino-americana na incorporação de novas tecnologias para diabetes no sistema público. A decisão da CONITEC baseou-se em análise de custo-efetividade que demonstrou economia a longo prazo pela redução de complicações cardiovasculares e renais.
Médicos prescritores deverão seguir protocolos clínicos específicos, com monitoramento regular de função renal e orientação sobre sinais de alerta. O CFM recomenda que o acompanhamento seja preferencialmente realizado por endocrinologistas ou médicos capacitados em manejo avançado de diabetes.
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