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Obesidade: ministério amplia acesso a novos tratamentos pelo SUS
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Obesidade: ministério amplia acesso a novos tratamentos pelo SUS

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Dra. Valentina Cardoso Ribeiro

Publicado em 30 de maio de 2026

2 min de leitura

O Ministério da Saúde anunciou nesta semana a incorporação de medicamentos análogos de GLP-1 de segunda geração no Sistema Único de Saúde para tratamento de obesidade. A decisão, baseada em recomendação da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias), representa uma mudança paradigmática no enfrentamento da epidemia de obesidade no Brasil, que atinge mais de 60 milhões de pessoas.

Os novos medicamentos estarão disponíveis inicialmente para pacientes com obesidade grau II (IMC acima de 35) associada a comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão ou apneia do sono, e para todos os casos de obesidade grau III (IMC acima de 40). A estimativa é que cerca de 8 milhões de brasileiros se enquadrem nesses critérios nos próximos cinco anos de implementação gradual do programa.

Diferentemente de abordagens anteriores focadas exclusivamente na farmacoterapia, o protocolo do Ministério da Saúde exige acompanhamento multidisciplinar obrigatório. Pacientes deverão participar de consultas regulares com endocrinologista, nutricionista e profissional de educação física, além de avaliação psicológica quando indicado. O modelo visa garantir mudanças sustentáveis no estilo de vida, reconhecendo que medicamentos são ferramentas auxiliares, não soluções isoladas.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) celebrou a medida, destacando que estudos clínicos demonstram redução média de 15% a 20% do peso corporal quando os medicamentos são combinados com intervenções comportamentais. Especialistas alertam, contudo, que o tratamento requer comprometimento de longo prazo, com duração mínima recomendada de dois anos.

A incorporação foi possível após negociações que resultaram em redução de 70% no preço dos medicamentos para compras governamentais. O investimento inicial previsto é de R$ 2,3 bilhões anuais, com expectativa de economia futura em tratamento de complicações da obesidade, que custam ao SUS mais de R$ 10 bilhões por ano.

Médicos da atenção básica receberão capacitação específica para identificação e encaminhamento adequado de pacientes elegíveis. A prescrição dos análogos de GLP-1 ficará restrita a endocrinologistas nos primeiros dois anos do programa. O CFM reforça que uso off-label para emagrecimento estético, sem indicação clínica estabelecida, constitui infração ética.

A implementação será monitorada por sistema nacional de farmacovigilância, acompanhando efetividade e eventos adversos na população brasileira. Pacientes interessados devem procurar unidades básicas de saúde para avaliação e eventual encaminhamento aos centros de referência em obesidade.

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