
Receita digital obrigatória: prescrição em papel será descontinuada
Dra. Aline Nunes Alves
Publicado em 31 de maio de 2026
O Conselho Federal de Medicina (CFM), em conjunto com o Ministério da Saúde, anunciou a transição obrigatória para o sistema de prescrição digital em todo território nacional. A partir de 1º de janeiro de 2027, todas as receitas médicas, incluindo medicamentos controlados, deverão ser emitidas exclusivamente em formato eletrônico com assinatura digital certificada ICP-Brasil.
A medida representa a conclusão de um processo iniciado em 2022, quando a receita digital foi autorizada como alternativa. Estudos demonstram que a digitalização reduz em até 95% os casos de fraude e falsificação de receitas, além de diminuir drasticamente os erros de dispensação causados por caligrafia ilegível, problema histórico que afeta a segurança do paciente.
Todos os médicos brasileiros deverão obter certificado digital padrão ICP-Brasil até dezembro de 2026. O CFM estabeleceu parceria com certificadoras para oferecer condições especiais aos profissionais, com valores reduzidos e processo simplificado de emissão. O investimento médio é de R$ 200 a R$ 300 para certificados com validade de três anos.
As plataformas de prescrição digital homologadas devem atender requisitos rigorosos de segurança estabelecidos pela ANVISA e estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) mantém lista atualizada dos sistemas certificados, garantindo interoperabilidade e segurança das informações.
Para os pacientes, a mudança traz benefícios significativos. As receitas digitais ficam armazenadas em aplicativos de saúde pessoal, eliminando o risco de perda de documentos. Além disso, a integração com farmácias permite dispensação mais ágil e verificação automática de interações medicamentosas e alergias registradas no histórico do paciente.
Farmácias de todo país também passam por processo de adaptação tecnológica. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária estabeleceu que estabelecimentos farmacêuticos devem implementar sistemas capazes de validar a autenticidade das receitas digitais através da verificação da assinatura eletrônica e consulta a bases de dados centralizadas.
A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), gerida pelo DATASUS, será o repositório central de prescrições, permitindo que profissionais autorizados acessem o histórico medicamentoso completo dos pacientes, fundamental para evitar interações perigosas e uso inadequado de medicamentos.
Médicos que atuam em regiões com conectividade limitada poderão utilizar modo offline em aplicativos homologados, com sincronização posterior obrigatória. O CFM também esclarece que atendimentos de urgência e emergência terão protocolos específicos para garantir continuidade do cuidado.
O período de transição de sete meses visa permitir que profissionais, farmácias e pacientes se adaptem gradualmente. Entidades médicas oferecem webinars e materiais educativos sobre o uso correto das plataformas de prescrição digital.
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