
Dr. Otavio Costa Campos
Publicado em 31 de maio de 2026
O Ministério da Saúde anunciou em maio de 2026 a implementação de um projeto-piloto para terapia celular em pacientes com diabetes mellitus tipo 1, marcando uma nova era no tratamento da condição no sistema público brasileiro. A iniciativa será conduzida inicialmente em cinco centros de referência, localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília.
A terapia proposta utiliza células-tronco mesenquimais autólogas ou alogênicas com o objetivo de modular a resposta autoimune e estimular a regeneração de células beta pancreáticas produtoras de insulina. Estudos internacionais demonstraram que pacientes selecionados podem apresentar aumento na produção endógena de insulina, redução nas doses de insulina exógena necessárias e melhora no controle glicêmico.
Os critérios de elegibilidade para o programa-piloto incluem diagnóstico de diabetes tipo 1 há pelo menos dois anos, controle glicêmico inadequado apesar de tratamento otimizado com insulina, ausência de complicações graves e idade entre 18 e 45 anos. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia participou ativamente da definição dos protocolos clínicos.
O procedimento envolve coleta de células-tronco, processamento em laboratório especializado conforme boas práticas de fabricação estabelecidas pela ANVISA, e posterior infusão endovenosa ou aplicação direta no pâncreas, dependendo do protocolo específico. O acompanhamento pós-terapia inclui monitoramento intensivo de parâmetros imunológicos, dosagem de peptídeo C como marcador de produção endógena de insulina, e avaliação contínua do controle glicêmico.
Especialistas ressaltam que a terapia celular não representa cura definitiva, mas pode modificar significativamente o curso da doença em pacientes respondedores. A expectativa é de que cerca de 40 a 60% dos tratados apresentem algum grau de resposta clínica mensurável, com redução na variabilidade glicêmica e diminuição de episódios de hipoglicemia grave.
O investimento inicial do Ministério da Saúde para a fase piloto é de aproximadamente R$ 45 milhões, contemplando infraestrutura laboratorial, capacitação de equipes multidisciplinares e acompanhamento de 200 pacientes durante três anos. Os resultados serão fundamentais para definir a eventual incorporação da tecnologia como opção terapêutica regular no SUS.
Quanto aos aspectos regulatórios, todos os centros participantes possuem certificação para terapia celular e seguirão protocolos aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). A ANVISA mantém supervisão ativa sobre a produção e controle de qualidade das células utilizadas, garantindo segurança e rastreabilidade completa do processo.
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