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Terapia genética para anemia falciforme aprovada pela ANVISA
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Terapia genética para anemia falciforme aprovada pela ANVISA

DH

Dr. Heitor Almeida Costa

Publicado em 29 de maio de 2026

2 min de leitura

A ANVISA aprovou em maio de 2026 a primeira terapia genética para anemia falciforme disponível no Brasil, marcando nova era no tratamento de doenças hereditárias. A tecnologia utiliza edição genética CRISPR-Cas9 para corrigir a mutação responsável pela produção de hemoglobina anormal, oferecendo possibilidade de cura funcional para condição que afeta aproximadamente 60 mil brasileiros.

O tratamento, denominado comercialmente como Hemgenix-BR, envolve coleta de células-tronco hematopoiéticas do próprio paciente, correção genética em laboratório e reinfusão após condicionamento quimioterápico. Ensaios clínicos fase III demonstraram que 89% dos pacientes tratados permaneceram livres de crises vaso-oclusivas por pelo menos 24 meses, com normalização sustentada dos níveis de hemoglobina.

A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia celebrou a aprovação como avanço histórico. A anemia falciforme tem prevalência elevada no Brasil devido à composição étnica da população, sendo particularmente comum em comunidades afrodescendentes. Pacientes enfrentam crises dolorosas recorrentes, risco de AVC, danos orgânicos progressivos e expectativa de vida reduzida, tornando a necessidade de tratamentos efetivos especialmente urgente.

Inicialmente, sete centros de referência em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal foram credenciados para administrar a terapia. A infraestrutura necessária inclui laboratórios de terapia celular certificados em boas práticas de fabricação, equipes multidisciplinares especializadas e unidades de transplante de medula óssea. O Ministério da Saúde estima que 150 pacientes receberão o tratamento em 2026, com expansão progressiva nos anos seguintes.

O principal obstáculo permanece o custo. Cada tratamento tem valor estimado em R$ 2,8 milhões, refletindo a complexidade tecnológica envolvida. A CONITEC iniciou análise de incorporação ao SUS, com decisão prevista para setembro de 2026. Critérios de elegibilidade devem priorizar pacientes com manifestações severas da doença, história de múltiplas crises vaso-oclusivas ou AVC prévio.

Especialistas em bioética destacam a importância de garantir acesso equitativo. A população mais afetada pela doença falciforme frequentemente enfrenta barreiras socioeconômicas adicionais. Protocolos estão sendo desenvolvidos para assegurar que critérios de seleção sejam baseados exclusivamente em indicação médica, sem discriminação por condição social ou geográfica.

A aprovação da terapia genética para anemia falciforme representa apenas o início. Outras doenças hereditárias prevalentes no Brasil, como beta-talassemia e imunodeficiências primárias, já têm terapias similares em estágios avançados de desenvolvimento, sinalizando transformação profunda no tratamento de condições anteriormente consideradas incuráveis.

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