
Dra. Vitoria Freitas Azevedo
Publicado em 31 de maio de 2026
A ANVISA autorizou em maio de 2026 a incorporação de três novas terapias celulares CAR-T ao arsenal terapêutico brasileiro, marcando avanço significativo no tratamento de leucemias e linfomas refratários. Simultaneamente, o Ministério da Saúde anunciou a estruturação de cinco centros de referência no SUS capacitados para realizar esses procedimentos complexos de imunoterapia personalizada.
As terapias CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell) consistem na modificação genética de linfócitos do próprio paciente para reconhecer e destruir células cancerígenas. O processo envolve coleta de células, modificação em laboratório especializado e reinfusão no paciente. Até recentemente, essa tecnologia estava disponível apenas em poucos centros privados, com custos superiores a dois milhões de reais por tratamento.
Os centros de referência do SUS serão instalados em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife, com previsão de atender cerca de 400 pacientes anualmente a partir de 2027. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) aprovou protocolos para leucemia linfoblástica aguda e linfoma difuso de grandes células B em pacientes que não responderam a tratamentos convencionais.
Segundo a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH), essas terapias apresentam taxas de remissão completa entre 60% e 80% em casos refratários, onde quimioterapias tradicionais falharam. Os principais efeitos adversos incluem síndrome de liberação de citocinas e neurotoxicidade, exigindo equipes multidisciplinares experientes e infraestrutura hospitalar de alta complexidade.
A regulamentação brasileira estabelece requisitos rigorosos para centros que realizam terapias celulares, incluindo certificação de boas práticas de manipulação celular, equipes treinadas em manejo de complicações e sistemas de rastreabilidade conforme LGPD. Laboratórios nacionais estão sendo capacitados para produção local, reduzindo dependência de importação e custos associados.
Além das terapias CAR-T, a ANVISA analisa protocolos de terapia celular para doenças autoimunes, como esclerose múltipla e lúpus eritematoso sistêmico. Pesquisadores brasileiros participam de estudos multicêntricos internacionais investigando aplicações em tumores sólidos, área que representa o próximo desafio dessas tecnologias.
O CFM atualizou resoluções sobre terapias avançadas, proibindo uso experimental fora de protocolos aprovados e enfatizando necessidade de consentimento informado detalhado. A democratização do acesso via SUS representa mudança paradigmática, transformando tratamentos antes inacessíveis em opções reais para pacientes brasileiros com câncer hematológico de alto risco.
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