
Dra. Isabela Coelho Macedo
Publicado em 29 de maio de 2026
O cenário do tratamento oncológico no Brasil alcança novo patamar com a inclusão de terapias CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell) no rol de procedimentos de cobertura obrigatória pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. A decisão, vigente desde abril de 2026, torna o país o primeiro da América Latina a garantir acesso sistemático a essa tecnologia revolucionária através de planos de saúde.
As terapias CAR-T representam uma modalidade de imunoterapia personalizada onde linfócitos T do próprio paciente são geneticamente modificados em laboratório para reconhecer e destruir células cancerígenas. O processo envolve coleta de células, modificação genética, expansão laboratorial e reinfusão no paciente, um procedimento complexo que até recentemente custava entre R$ 2 e 3 milhões por tratamento.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou três terapias CAR-T para uso no Brasil: duas para leucemia linfoblástica aguda de células B em pacientes pediátricos e adultos jovens, e uma para linfoma difuso de grandes células B refratário. Estudos clínicos demonstram taxas de remissão completa entre 80% e 85% em pacientes que não responderam a tratamentos convencionais, incluindo quimioterapia e transplante de medula óssea.
A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia estabeleceu critérios rigorosos para centros credenciados a realizar o procedimento, incluindo infraestrutura para manejo de efeitos adversos graves como síndrome de liberação de citocinas e neurotoxicidade. Atualmente, 12 hospitais em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre possuem certificação para aplicação de CAR-T.
O Conselho Federal de Medicina reforça que a indicação deve ser criteriosa, restrita a casos refratários ou em recidiva após tratamentos de primeira e segunda linha, sempre mediante avaliação por equipe multidisciplinar especializada em oncohematologia. O acompanhamento pós-infusão requer monitoramento intensivo por no mínimo 30 dias.
Para o Sistema Único de Saúde, o Ministério da Saúde anunciou projeto-piloto em cinco centros de referência, com previsão de início ainda em 2026. A expectativa é incorporar gradualmente a tecnologia à rede pública, priorizando casos pediátricos e adolescentes sem alternativas terapêuticas.
Especialistas projetam que o desenvolvimento de plataformas nacionais de produção de CAR-T, atualmente em fase de pesquisa em universidades brasileiras, poderá reduzir custos em até 60% nos próximos cinco anos, ampliando significativamente o acesso a essa terapia potencialmente curativa.
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