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Terapias celulares CAR-T chegam ao SUS para tratamento de câncer
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Terapias celulares CAR-T chegam ao SUS para tratamento de câncer

DE

Dra. Eduarda Almeida Ferreira

Publicado em 31 de maio de 2026

2 min de leitura

O Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer, a partir de junho de 2026, o primeiro tratamento com células CAR-T para pacientes oncológicos brasileiros. A incorporação, anunciada pelo Ministério da Saúde, representa um marco histórico no acesso a terapias avançadas de imunoterapia celular no país.

A terapia CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell) consiste em modificar geneticamente as células de defesa do próprio paciente para reconhecer e atacar células cancerígenas. O procedimento já é realidade em países desenvolvidos desde 2017, apresentando taxas de remissão superiores a 80% em determinados tipos de leucemias e linfomas que não responderam a tratamentos convencionais.

Inicialmente, o tratamento estará disponível em cinco centros de referência: Hospital das Clínicas de São Paulo, Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Rio de Janeiro, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Hospital Sírio-Libanês em Brasília e Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com o SUS em São Paulo. A expectativa é atender cerca de 500 pacientes no primeiro ano.

O processo de fabricação das células CAR-T é complexo e personalizado. Após a coleta das células do paciente por aférese, o material é enviado para laboratórios especializados onde ocorre a modificação genética. O procedimento completo, da coleta à reinfusão das células modificadas, leva aproximadamente quatro semanas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a incorporação foi possível após negociações que reduziram significativamente o custo do tratamento, que no setor privado pode ultrapassar R$ 2 milhões por paciente. A parceria com laboratórios nacionais e transferência de tecnologia foram fundamentais para viabilizar o acesso.

Os critérios de elegibilidade são rigorosos. Pacientes devem ter diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda de células B ou linfoma difuso de grandes células B, com falha em pelo menos duas linhas de tratamento prévio. A indicação será avaliada por equipes multidisciplinares nos centros credenciados.

Efeitos colaterais como síndrome de liberação de citocinas e neurotoxicidade exigem monitoramento intensivo, com estrutura de UTI especializada. Todos os centros autorizados atendem aos requisitos de segurança estabelecidos pela ANVISA e possuem equipes treinadas internacionalmente.

Pacientes interessados devem procurar seus oncologistas para avaliação de elegibilidade e encaminhamento aos centros de referência através das centrais de regulação estaduais.

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