Pronto-Socorro 24h
Precisa falar com um médico agora?
Toque no sintoma e fale com um médico por vídeo em minutos. Sem cadastro para começar.
Em emergências com risco de vida, ligue 192 (SAMU).

Dr. Davi Oliveira Ribeiro
Publicado em 30 de maio de 2026
Uma revolução no tratamento oncológico está em curso no Brasil com a disponibilização de terapias CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell) em centros de referência do Sistema Único de Saúde. A tecnologia, que reprograma células do próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer, representa um avanço sem precedentes para casos de leucemias e linfomas que não respondem a quimioterapia ou transplante de medula óssea.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS aprovou em 2025 a inclusão de duas terapias CAR-T para leucemia linfoblástica aguda de células B e linfoma difuso de grandes células B, condições que afetam milhares de brasileiros anualmente. A implementação iniciou em cinco hospitais universitários com infraestrutura especializada para o processamento celular e manejo de efeitos adversos específicos desta modalidade terapêutica.
O procedimento envolve a coleta de linfócitos T do paciente por aférese, seguida do envio para laboratórios certificados onde as células são geneticamente modificadas para expressar receptores capazes de reconhecer e destruir células cancerígenas. Após multiplicação em cultura, as células CAR-T são reinfundidas no paciente, onde podem persistir por anos exercendo vigilância imunológica contínua.
Estudos clínicos internacionais demonstram taxas de remissão completa superiores a 80% em pacientes pediátricos com leucemia linfoblástica aguda refratária, população com opções terapêuticas extremamente limitadas antes do advento desta tecnologia. No Brasil, os primeiros pacientes tratados pelo SUS apresentam resultados promissores, embora o acompanhamento de longo prazo ainda seja necessário para avaliar durabilidade das respostas.
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica ressalta que as terapias CAR-T não são isentas de riscos. A síndrome de liberação de citocinas e neurotoxicidade são efeitos adversos potencialmente graves que exigem monitoramento intensivo em unidades especializadas. Por este motivo, a indicação é criteriosa, restrita a pacientes que esgotaram alternativas convencionais e que apresentem condições clínicas para tolerar o tratamento.
O custo elevado permanece um desafio significativo. Cada terapia CAR-T pode custar mais de um milhão de reais, refletindo a complexidade do processo de manufatura personalizada. O Ministério da Saúde negocia parcerias para produção nacional e transferência de tecnologia, visando reduzir custos e ampliar o acesso progressivamente.
Para oncologistas e hematologistas brasileiros, a incorporação das terapias CAR-T representa não apenas uma nova opção terapêutica, mas um marco na medicina de precisão nacional. A expectativa é que outras modalidades de imunoterapia celular, incluindo tratamentos para tumores sólidos, sejam desenvolvidas e incorporadas nos próximos anos, consolidando o Brasil como referência em medicina oncológica avançada na América Latina.
WhatsMED
Fale agora com um especialista
Consultas online 24 horas, prescricao digital e atendimento humanizado. Comece sua jornada de cuidado em poucos minutos.
