
Dra. Daniela Azevedo Coelho
Publicado em 28 de maio de 2026
A ANVISA concedeu em abril de 2026 aprovação regulatória para protocolo de terapia celular destinado a pacientes com diabetes tipo 1 de diagnóstico recente, marcando avanço significativo no tratamento dessa condição que afeta mais de 500 mil brasileiros. A decisão baseou-se em estudos clínicos multicêntricos conduzidos em instituições de referência nacionais que demonstraram segurança e eficácia da abordagem em população específica.
O tratamento consiste no transplante autólogo de células-tronco mesenquimais expandidas e modificadas, associado a imunomodulação controlada, com objetivo de preservar a função residual das células beta pancreáticas produtoras de insulina. Os estudos brasileiros mostraram que 68% dos pacientes tratados nos primeiros seis meses após diagnóstico mantiveram produção endógena significativa de insulina por pelo menos três anos, reduzindo drasticamente a necessidade de insulina exógena.
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) destaca que a terapia não representa cura definitiva, mas pode modificar substancialmente a evolução da doença quando aplicada precocemente. Pacientes selecionados apresentaram melhor controle glicêmico, menor variabilidade nos níveis de glicose e redução significativa de episódios de hipoglicemia grave, principal causa de hospitalizações e complicações agudas.
O Ministério da Saúde anunciou a criação de grupo técnico para avaliar a incorporação da terapia celular ao SUS, considerando critérios de custo-efetividade e impacto epidemiológico. Estimativas preliminares indicam que o tratamento poderia beneficiar cerca de 40 mil novos casos de diabetes tipo 1 diagnosticados anualmente no Brasil, potencialmente reduzindo custos de longo prazo com complicações crônicas da doença.
O protocolo aprovado estabelece critérios rigorosos de elegibilidade: pacientes entre 12 e 35 anos, diagnóstico há menos de seis meses, presença de autoanticorpos específicos e função pancreática residual detectável. O procedimento só pode ser realizado em centros credenciados pela ANVISA, com infraestrutura para produção celular em conformidade com Boas Práticas de Fabricação e equipes multidisciplinares especializadas.
O processo envolve coleta de células da medula óssea ou tecido adiposo do próprio paciente, expansão e condicionamento em laboratório certificado, seguido de infusão endovenosa em ambiente hospitalar. O protocolo de imunomodulação associado visa reduzir a resposta autoimune que destrói as células beta, sem imunossupressão intensa que aumentaria riscos infecciosos.
Especialistas em endocrinologia pediátrica ressaltam que a janela terapêutica precoce é crítica para o sucesso. Quanto mais cedo a intervenção após o diagnóstico, maior a massa de células beta preservadas e melhor a resposta ao tratamento. A SBD recomenda que pacientes recém-diagnosticados discutam com seus endocrinologistas a elegibilidade para os protocolos disponíveis.
A CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) deve emitir parecer sobre a incorporação até o final de 2026, após análise de evidências científicas, impacto orçamentário e consulta pública.
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