
Terapias com GLP-1: SUS amplia acesso para prevenção cardiovascular
Dra. Fernanda Lopes Martins
Publicado em 29 de maio de 2026
O Ministério da Saúde anunciou em maio de 2026 a incorporação de medicamentos análogos do GLP-1 no Sistema Único de Saúde para pacientes com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular. A decisão, baseada em recomendação da CONITEC, representa um avanço significativo na prevenção de eventos cardíacos na população brasileira.
A medida atende a uma demanda antiga de sociedades médicas, especialmente da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Estudos clínicos dos últimos anos demonstraram que essa classe de medicamentos reduz em até 20% o risco de infarto e AVC em pacientes diabéticos com fatores de risco cardiovascular.
Inicialmente, o acesso será restrito a pacientes que preencham critérios específicos: diagnóstico de diabetes tipo 2, hemoglobina glicada acima de 8% apesar de tratamento convencional, e presença de doença cardiovascular estabelecida ou múltiplos fatores de risco. A estimativa é que cerca de 500 mil brasileiros se enquadrem nesses critérios nos primeiros dois anos do programa.
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde negociou redução significativa nos preços dos medicamentos com os fabricantes, tornando viável a incorporação. Além disso, há acordos em desenvolvimento com laboratórios nacionais para produção de biossimilares, o que deve ampliar o acesso nos próximos anos.
Médicos endocrinologistas alertam que os análogos de GLP-1 não são medicamentos para emagrecimento estético, uso que ganhou popularidade nos últimos anos. A prescrição deve seguir critérios técnicos rigorosos, e o acompanhamento médico regular é fundamental para monitorar eficácia e efeitos adversos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária reforçou a importância da prescrição responsável e do combate ao mercado irregular desses medicamentos. Casos de efeitos adversos graves foram registrados quando utilizados sem supervisão médica adequada.
Para os pacientes, a incorporação representa esperança de melhor controle da doença e redução de complicações. No entanto, especialistas enfatizam que a medicação deve ser parte de um tratamento abrangente que inclui dieta, exercícios e controle de outros fatores de risco.
Os médicos que atuam na atenção primária receberão capacitação específica sobre prescrição e monitoramento desses medicamentos. O Ministério da Saúde prevê que a implementação completa do programa ocorra de forma gradual ao longo de 2026 e 2027, começando pelas capitais e regiões metropolitanas.
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