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Terapias com RNA mensageiro avançam contra câncer e doenças raras
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Terapias com RNA mensageiro avançam contra câncer e doenças raras

DP

Dra. Pamela Alves Carvalho

Publicado em 29 de maio de 2026

2 min de leitura

A tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), que revolucionou a vacinação contra COVID-19, inicia nova fase de aplicação clínica no Brasil com aprovação pela ANVISA de terapias personalizadas contra cânceres específicos e doenças raras. As três primeiras terapias de mRNA não-vacinais autorizadas no país representam um marco na medicina de precisão e abrem perspectivas inéditas para condições anteriormente sem tratamento eficaz.

Ao contrário das vacinas de mRNA que induzem resposta imunológica preventiva, as novas terapias utilizam a tecnologia para produzir proteínas terapêuticas diretamente nas células do paciente ou para treinar o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas específicas. O mecanismo permite personalização baseada no perfil genético tumoral de cada paciente, caracterizando verdadeira medicina individualizada.

A primeira terapia aprovada destina-se a melanoma metastático, utilizando mRNA que codifica antígenos tumorais específicos identificados por sequenciamento genético do tumor do paciente. Em estudos clínicos internacionais, a terapia demonstrou redução de 44% no risco de recorrência quando combinada com imunoterapia convencional, resultados que se confirmaram em estudos brasileiros conduzidos pelo INCA e Hospital A.C.Camargo.

Outras duas aprovações contemplam doenças raras: acidemia metilmalônica, erro inato do metabolismo que afeta cerca de 200 brasileiros diagnosticados, e uma forma rara de imunodeficiência primária. Ambas utilizam mRNA para fornecer instruções temporárias que permitem às células produzirem enzimas ou proteínas ausentes devido a mutações genéticas.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) destaca que as terapias de mRNA oferecem vantagens sobre terapias gênicas convencionais, incluindo menor risco de integração ao DNA, efeito temporário e controlável, e possibilidade de produção mais rápida e personalizada. O tempo entre a biópsia tumoral e a produção da terapia personalizada foi reduzido para aproximadamente 45 dias.

O custo elevado representa desafio importante. Cada tratamento personalizado custa entre R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão, valores que limitam o acesso. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) analisa atualmente a incorporação dessas terapias para condições específicas, considerando estudos de custo-efetividade e impacto orçamentário.

Centros de excelência como o Hospital das Clínicas da USP e o Instituto Nacional de Câncer já estruturam protocolos para terapias de mRNA, incluindo laboratórios de sequenciamento genético, bioinformática para análise de dados e equipes multidisciplinares especializadas. A infraestrutura necessária inclui ultra-congeladores para armazenamento a -80°C e sistemas rigorosos de rastreabilidade.

A ANVISA estabeleceu regulamentação específica para terapias personalizadas de mRNA, exigindo validação individual de cada lote produzido e monitoramento rigoroso de eventos adversos. O marco regulatório brasileiro é considerado referência na América Latina.

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