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Terapias gênicas para doenças raras chegam ao Brasil
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Terapias gênicas para doenças raras chegam ao Brasil

DL

Dr. Luiz Marques Vieira

Publicado em 01 de junho de 2026

2 min de leitura

O Brasil dá um salto significativo no tratamento de doenças raras com a aprovação pela ANVISA de três novas terapias gênicas nos últimos seis meses. Estas tecnologias revolucionárias, que modificam ou substituem genes defeituosos, oferecem esperança de cura ou controle prolongado para condições que até recentemente tinham apenas tratamento paliativo.

Entre as terapias aprovadas estão tratamentos para atrofia muscular espinal (AME), hemofilia B e determinadas formas de distrofia muscular. A terapia gênica para AME, por exemplo, consiste em uma dose única que pode alterar completamente o curso da doença quando administrada precocemente, permitindo que crianças que teriam expectativa de vida reduzida alcancem marcos de desenvolvimento motor normais.

O grande desafio, reconhecido pelo Ministério da Saúde e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), é o custo extremamente elevado destes tratamentos. Uma única aplicação pode custar entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões, valores que colocam pressão sem precedentes nos sistemas de saúde público e privado.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleceu em maio novas regras para cobertura de terapias gênicas pelos planos de saúde, determinando prazos para análise de solicitações e critérios técnicos baseados em evidências científicas robustas. No entanto, o impacto financeiro sobre o setor ainda está sendo avaliado, com operadoras solicitando revisão de diretrizes de precificação.

No SUS, o Ministério da Saúde criou um grupo de trabalho multidisciplinar para avaliar a incorporação gradual destas tecnologias. A estratégia em discussão envolve priorização de pacientes com diagnóstico precoce, negociação de preços com fabricantes e possível produção nacional através de parcerias público-privadas com instituições como Bio-Manguinhos e Instituto Butantan.

Segundo a Sociedade Brasileira de Genética Médica, estima-se que cerca de 13 milhões de brasileiros vivam com alguma doença rara, sendo que muitas destas condições têm potencial de tratamento com terapias gênicas em desenvolvimento. O diagnóstico precoce, frequentemente através de triagem neonatal expandida, é fundamental para maximizar a eficácia destes tratamentos.

Médicos geneticistas alertam que aerapia gênica exige infraestrutura especializada e equipes multidisciplinares treinadas. Apenas centros de referência credenciados podem administrar estes tratamentos, garantindo monitoramento adequado de eficácia e eventos adversos. O CFM deve publicar ainda em junho diretrizes sobre qualificação de centros para aplicação de terapias gênicas.

Para famílias afetadas por doenças raras, estas aprovações representam esperança concreta. Organizações de pacientes têm atuado fortemente junto aos órgãos reguladores e ao Congresso Nacional para garantir acesso equitativo, discutindo modelos inovadores de financiamento que tornem estas terapias viáveis sem comprometer a sustentabilidade do sistema de saúde.

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