
Dr. Pedro Moreira Moraes
Publicado em 31 de maio de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou em maio de 2026 a incorporação de uma vacina bivalente de nova geração contra dengue no Programa Nacional de Imunizações. A decisão representa um marco no enfrentamento da doença que registrou mais de 4 milhões de casos no Brasil em 2025, com aumento preocupante de formas graves em população pediátrica.
O imunizante, desenvolvido por consórcio internacional com participação do Instituto Butantan, utiliza tecnologia de vírus atenuado que confere proteção contra os quatro sorotipos circulantes da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Estudos de fase 3 realizados em seis estados brasileiros demonstraram eficácia de 82% na prevenção de dengue sintomática e 95% na redução de hospitalizações.
A faixa etária priorizada compreende crianças e adolescentes de 6 a 16 anos, grupo que concentra 40% dos casos graves segundo dados do Ministério da Saúde. O esquema vacinal consiste em duas doses com intervalo de três meses, podendo ser administrada concomitantemente com outras vacinas do calendário infantil. A distribuição gratuita pelo SUS inicia em agosto de 2026, com meta de vacinar 22 milhões de jovens até dezembro.
Diferentemente da vacina anterior disponível no Brasil, que exigia comprovação de infecção prévia por dengue, o novo imunizante pode ser aplicado independentemente de histórico da doença. Essa característica simplifica a logística e amplia a cobertura vacinal, eliminando a necessidade de testes sorológicos prévios que dificultavam a implementação em larga escala.
A Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu nota técnica recomendando a vacinação como estratégia complementar ao controle vetorial. Especialistas enfatizam que a eliminação de criadouros do Aedes aegypti permanece fundamental, mas reconhecem que apenas medidas ambientais não têm sido suficientes para conter as epidemias cíclicas que assolam o país.
Reações adversas registradas nos estudos foram predominantemente leves: dor no local da aplicação, febre baixa e cefaleia transitória em menos de 15% dos vacinados. Não foram identificados eventos adversos graves relacionados à vacina em mais de 50 mil participantes acompanhados por dois anos.
Estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste, que enfrentaram as epidemias mais severas recentemente, receberão lotes iniciais prioritários. A distribuição seguirá critérios epidemiológicos definidos pelo Programa Nacional de Controle da Dengue, considerando incidência histórica e circulação de sorotipos.
Pais e responsáveis devem procurar as unidades básicas de saúde a partir de agosto com a caderneta de vacinação da criança. A ANVISA recomenda intervalo mínimo de 14 dias entre a vacina de dengue e imunizantes de vírus vivos atenuados, como febre amarela e tríplice viral, para otimizar a resposta imunológica.
A inclusão no PNI foi viabilizada por negociação que reduziu o custo por dose em 70% comparado ao preço de mercado internacional, tornando sustentável a vacinação em massa no sistema público brasileiro.
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