
Dra. Maria Monteiro Rodrigues
Publicado em 26 de maio de 2026
O Ministério da Saúde anunciou em maio de 2026 a ampliação da campanha nacional de vacinação contra dengue, incorporando definitivamente ao calendário do SUS a vacina brasileira desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida representa um avanço significativo no controle de uma doença que registrou mais de 2,3 milhões de casos prováveis no país em 2024.
A vacina Butantan-DEN, aprovada pela ANVISA em 2024, demonstrou eficácia global de 89% na prevenção de casos sintomáticos e 97% na redução de hospitalizações, segundo dados dos estudos de fase 3 conduzidos com mais de 16 mil voluntários em diversas regiões brasileiras. Diferentemente da vacina anterior disponível no mercado, a formulação nacional pode ser aplicada tanto em pessoas com histórico prévio de dengue quanto naquelas nunca expostas ao vírus.
A estratégia de vacinação prioriza inicialmente crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos residentes em municípios com alta incidência da doença. Estima-se que cerca de 18 milhões de jovens sejam vacinados até o final de 2026. O esquema completo consiste em duas doses com intervalo de três meses, e os estudos indicam proteção duradoura por pelo menos cinco anos.
A Sociedade Brasileira de Infectologia considera a ampliação da vacinação uma estratégia fundamental para reduzir a morbimortalidade por dengue, especialmente diante das mudanças climáticas que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Especialistas alertam, entretanto, que a vacina não substitui as medidas de controle do vetor, sendo essencial manter ações de eliminação de criadouros.
Médicos de atenção primária receberão treinamento específico sobre indicações e contraindicações da vacina. O Ministério da Saúde orienta que pacientes imunocomprometidos ou gestantes devem consultar seus médicos antes da imunização. A ANVISA autoriza o uso apenas a partir dos 4 anos de idade.
Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que concentram o maior número de casos, já iniciaram a distribuição das doses. A produção nacional pelo Butantan garante autossuficiência e reduz custos, permitindo expansão gradual para outras faixas etárias. A perspectiva é que até 2028 a vacinação esteja disponível para toda população entre 4 e 60 anos em áreas endêmicas.
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