
Dra. Bruna Pereira Reis
Publicado em 01 de junho de 2026
O Ministério da Saúde anunciou em junho de 2026 a ampliação da campanha nacional de vacinação contra dengue, incluindo todas as pessoas entre 10 e 45 anos nas áreas endêmicas. A decisão responde ao recorde de casos registrados em 2025, quando o país ultrapassou 4 milhões de notificações, e à maior disponibilidade de doses após expansão da produção nacional da vacina.
A dengue permanece como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, com ciclos epidêmicos cada vez mais intensos e antecipados, atribuídos às mudanças climáticas e à urbanização desordenada. A doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, pode evoluir para formas graves com hemorragia e choque, levando ao óbito principalmente em crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
A vacina utilizada no programa é o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com laboratório internacional, baseado em vírus atenuado e eficaz contra os quatro sorotipos da dengue. Estudos de fase 3 realizados no Brasil demonstraram eficácia de 80% na prevenção de dengue sintomática e 90% na prevenção de hospitalização. O esquema vacinal consiste em duas doses com intervalo de três meses.
Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, a ampliação da faixa etária é estratégica para reduzir circulação viral e proteger grupos com alta exposição ocupacional. A priorização inicial contempla profissionais de saúde, educação, limpeza urbana e forças de segurança, além de residentes em regiões com maior incidência nos últimos três anos.
A meta do Ministério da Saúde é vacinar 25 milhões de pessoas até o final de 2026, utilizando mais de 30 mil salas de vacinação em todo país. A logística inclui estratégias diferenciadas para populações vulneráveis, como comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas, onde a dengue apresenta letalidade maior devido ao acesso limitado a serviços de saúde.
Especialistas ressaltam que a vacinação não elimina necessidade de combate ao vetor. As ações de controle do Aedes aegypti devem continuar intensificadas, incluindo eliminação de criadouros, uso de larvicidas e mobilização comunitária. A combinação de vacinação com controle vetorial é considerada a estratégia mais efetiva para controle sustentável da dengue.
A ANVISA também aprovou recentemente novos métodos diagnósticos rápidos para dengue, permitindo diferenciação entre sorotipos em até duas horas. Esta tecnologia auxiliará médicos na identificação precoce de casos graves e no monitoramento epidemiológico mais preciso. Pacientes com sintomas de dengue devem procurar atendimento médico imediatamente, evitando automedicação com anti-inflamatórios que podem agravar sangramentos.
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