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A prevenção do HIV vive a maior mudança desde a chegada da profilaxia pré-exposição oral, a PrEP. Em vez de um comprimido diário, a nova geração usa injeções de ação prolongada: uma a cada dois meses ou, na versão mais recente, apenas duas por ano. Em 2026, essa transição deixou de ser notícia internacional e passou a ter calendário brasileiro.
O ponto de partida foi a recomendação da Organização Mundial da Saúde, em 14 de julho de 2025, a favor do injetável semestral como opção adicional de prevenção. Em 12 de janeiro de 2026, a Anvisa aprovou a indicação desse medicamento para PrEP no Brasil. Os estudos que embasaram a decisão impressionaram pela consistência: 100% de eficácia entre mulheres cisgênero na África e 96% entre homens cisgênero, mulheres trans e pessoas não binárias, em comparação com a profilaxia oral.
O gargalo é o preço. Com custo estimado próximo de 28 mil dólares por pessoa ao ano no mercado internacional, a versão semestral foi considerada inviável para o Sistema Único de Saúde neste momento. Em 27 de julho de 2026, o Ministério da Saúde anunciou a alternativa: encaminhar à Conitec a incorporação do injetável bimestral, com negociação de preço e quantidade em andamento com o fabricante e a expectativa de oferta no SUS ainda em 2026, a depender do parecer da comissão e da decisão final da pasta.
A evidência nacional já existe. Um estudo conduzido pela Fiocruz com 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras não registrou nenhuma infecção pelo HIV; 83% dos voluntários preferiram a injeção ao comprimido, e 94% compareceram às aplicações no prazo correto — o dado que mais interessa a quem cuida de adesão. A PrEP oral, disponível gratuitamente no SUS, já foi acessada por mais de 350 mil pessoas.
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Por que isso importa tanto? Porque a eficácia da profilaxia depende da regularidade. Esquecer comprimidos ou enfrentar estigma são causas conhecidas de falha. Uma injeção aplicada por profissional de saúde, com retorno a cada dois ou seis meses, retira parte desse peso do dia a dia e abre espaço para acompanhamento, testagem e vacinação na mesma visita.
Há regras que não mudam. A PrEP injetável exige teste de HIV negativo antes de cada aplicação, acompanhamento clínico e prevenção combinada, já que não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis. A indicação continua sendo individual, definida em consulta.
A tendência de 2026, para o Brasil, é transformar uma tecnologia aprovada em política pública — e o próximo capítulo é da Conitec.
Fontes consultadas: Organização Mundial da Saúde (julho de 2025); Anvisa (janeiro de 2026); Ministério da Saúde e Fiocruz (julho de 2026).
*Conteúdo informativo, sem finalidade publicitária. Não substitui a avaliação de um médico. Não utilize medicamentos sem prescrição e acompanhamento profissional.*
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